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Onde tudo começou

Em uma época que não existia a internet como conhecemos hoje, saber das novidades do mundo da música era uma tarefa bem difícil e cara. Só mesmo quem tinha condição financeira para viajar ou sorte de ter uma “conexão-muamba” com algum amigo que morasse no exterior, é que conseguia saber das novidades mais rápido.
Do lado das rádios oficiais, o marasmo era total, principalmente quando o assunto era rock, com exceção, é claro, da Eldo Pop FM (Big Boy – Parte 1 / Parte 2), JB e Federal AM, que rapidamente viraram os grandes desbravadores. Mas esses reinaram, infelizmente, somente nos anos 70.
Então, diante da apatia, ainda atravessando o período de ditadura e com a censura riscando LPs e tirando o direito de expressão dos cidadãos brasileiros, é que o ambiente se transformou em algo altamente inflamável, criando, assim, uma grande oportunidade para o surgimento da Rádio Fluminense FM no dial 94.9, de propriedade do Grupo Fluminense de Comunicação, grupo este presidido pelo então jornalista Dr. Alberto Torres e tendo como Diretor-Superintendente Ephrem Amora.                                    .

Entrando no ar oficialmente no primeiro dia do mês de março de 1982, formada exclusivamente por uma programação rock and roll e com um time de locutoras à frente dos microfones, numa atitude, até então, ousada para o dial brasileiro, é que a Rádio Fluminense FM, apelidada pelos seus criadores de “Maldita”, fez as suas primeiras transmissões e teve como missão dar voz à geração de 1980. Bandas como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Barão Vermelho, Kid Abelha, Lobão, Plebe Rude e tantos outros grupos independentes mostraram seus primeiros trabalhos nos estúdios da Maldita. Sem contar que a rádio teve coragem e ousadia de apostar em programas destinados exclusivamente a blues, jazz, heavy metal, além de contar com uma equipe de jornalistas que inovavam nas pautas e no experimentalismo. E, assim, o projeto da rádio foi caminhando até o fim da década, sempre apostando também nas novidades que surgiam como U2, The Smiths, Echo & The Bunnymen e tantos outros.

Em 1990, a rádio se encontrava com a, já clássica, programação musical composta pelo bom e velho rock and roll, dando destaque também para as outras experimentações dentro do próprio rock, como as bandas australianas Spy Vs Spy, Ganggajang e tantas outras, além de programas específicos de indie rock, reggae e skate rock. Se destacava também com a atenção ainda maior que dava à cobertura das modalidades mais radicais do esporte, como o surf, skate, windsurf e voo livre. E foi justamente com essa estratégia que a Rádio Fluminense FM ganhou, por três vezes consecutivas, o título de melhor rádio surf do planeta, ficando ainda mais conhecida, tanto no Rio de Janeiro e demais estados brasileiros quanto no exterior.

Depois, por uma decisão de negócio dos detentores da marca e do espaço no dial, decidiu-se que a Maldita daria um tempo. E assim se sucedeu um hiato, que foi de 1994 a 2000, terminando somente em 2001, com sua volta no dial 540AM, também de propriedade do Grupo Fluminense de Comunicação.
Ainda que na AM, a rádio conseguiu alcançar grande sucesso e audiência, que acabaram sendo os responsáveis pela sua volta ao dial FM em agosto de 2002. Nesse período, a Fluminense começava a se deparar, pela primeira vez, com os desafios e mudanças que vieram com a difusão da internet no Brasil. Mesmo que ainda timidamente, o uso da web começava a modificar parte da produção de conteúdo da rádio. E assim foi até 2003, quando novamente ela saiu do dial, mas não da cabeça de seus eternos e fiéis ouvintes, admiradores, apaixonados, não conformados.

A Exposição

Há exatamente 10 anos atrás, nasceu a ideia de fazer uma exposição sobre a Rádio Fluminense. Um evento que não abordasse apenas a década de 80, período muito importante que marcou o nascimento da rádio, mas sim algo mais abrangente que conseguisse celebrar os anos em que a Maldita esteve no dial, que se estendia de 1982 a 2003, ano de suas últimas emissões sonoras.
Então, com a visão de um ouvinte e no ano em que a rádio completa seus 30 anos, foi montada, entre julho e agosto de 2012, no Centro Cultural Correios – RJ, a exposição Maldita 3.0.
Com muita coragem, ótimos profissionais, parceiros e patrocinadores fortes, o sonho virou realidade. Mesmo com a grande dificuldade em se achar fotos, registros e reunir todos os protagonistas de anos de histórias da rádio, foi possível montar uma exposição que conseguiu apresentar o maior número de itens sobre a Maldita até hoje.

Basicamente, a exposição foi composta por fotos, peças do acervo da rádio, equipamentos, imagens registradas em filmes, depoimentos e takes tirados dentro do estúdio, além de alguns instrumentos musicais autografados que tiveram alguma participação na história da Maldita. Isso sem falar na colaboração dos ouvintes e alguns músicos, que gentilmente cederam itens de suas coleções para complementarem o espaço expositivo. Em paralelo, ainda tiveram os painéis gratuitos, nos quais alguns dos ex-integrantes, locutoras, produtores e agitadores culturais da época tiveram o microfone aberto para compartilhar as suas histórias com a Maldita, além de falarem um pouco dos seus projetos atuais.

O objetivo maior da exposição, além de celebrar os 30 anos com os ouvintes e prestar uma homenagem a todos os profissionais que já passaram pela rádio, foi provocar uma reflexão na nova geração sobre o que seria possível criar hoje em dia, uma vez que o Brasil atravessa um longo período democrático, possui uma economia estável e permite o livre acesso à tecnologia e informação por meio da internet.

O Site

Dando continuidade ao projeto Maldita 3.0, por meio do patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro*, a celebração dos 30 anos da Rádio Fluminense continua, mas, dessa vez, no ambiente virtual, mostrando que alguns dos ideais da Maldita permanecem vivos até hoje e estão prontos para serem remixados pela nova turma, ampliando os horizontes e abrindo caminhos para o vasto conhecimento através da música.

Com o site, versão beta, serão apresentados alguns dos principais sons que rolaram na rádio ao longo dos anos em que ela esteve no ar. E pensando numa experiência de uso mais completa, serão mostrados alguns programas com temas da atualidade, além de conteúdo jornalístico com as últimas notícias dentro do cenário musical e com as novidades do projeto que virão pela frente. Com isso, visa-se estimular o uso da tecnologia e das novas plataformas digitais em benefício da disseminação da cultura e da produção de conteúdo mais relevante, sem a superficialidade dos retwittes e de parte dos posts de hoje em dia.

 

 

* Projeto realizado com patrocínio do Governo do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura – Edital de Mídia Digital 2011

 

Seja bem-vindo. Aproveite a viagem.

Equipe Maldita 3.0

 

 

 

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